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ARCANJOS 16 ANOS DE VOO PELA VIDA!

ARCANJOS 16 ANOS DE VOO PELA VIDA!

Mais de uma década e meia de prontidão, resgate e salvamento. Orgulho de servir e proteger o povo catarinense.

AS AERONAVES ARCANJOS EM SANTA CATARINA

No corrente ano, em 26 de setembro de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina celebra 100 anos de existência, tendo sido inicialmente criado dentro dos quadros de especializações da Polícia Militar de Santa Catarina, e, com o passar dos anos, obteve a emancipação constitucional em 13 de junho de 2003, quando, no mês de junho, completará 23 anos como Corporação autônoma.

A História da Aviação Resgate do Corpo de Bombeiros Militar remonta à época em que a Corporação pertencia aos quadros orgânicos da Polícia Militar do Estado de Santa Catarina (PMSC), uma vez que entre os anos de 1986 e 2003 o CBMSC era parte integrante daquela Corporação.

Essa história iniciou-se em dezembro de 1986, com um helicóptero modelo Bell Jet Ranger III, matrícula PT-HOM, alugado para 240 horas de vôo, previsão do tempo necessário para atendimento da Operação Veraneio 1986/1987.

Os Oficiais e Praças Tripulantes Operacionais eram lotados no Corpo de Bombeiros Militar/PMSC, cuja Unidade operacional a que pertenciam era o Grupamento de Busca e Salvamento - GBS.

À época o Comandante da Aeronave era o Sr Mário Antônio Frias, funcionário da empresa aérea proprietária da aeronave alugada.

A Equipe Médica que também compunha a tripulação era do Quadro de Saúde da PMSC.

As condições de voo eram determinadas pelo Piloto.

A liberação para o atendimento de ocorrências e seu respectivo gerenciamento eram decididas pelo Oficial do Corpo de Bombeiro Militar que estivesse integrando a tripulação.

Operava-se na doutrina de multi-missão: a mesma aeronave, com tripulações específicas, atendia operações típicas de bombeiro (de busca, resgate e salvamento) e também a operações típicas de polícia ostensiva.

Oportuno registrar que no contrato de aluguel, no item destinação, além da atividade típica de polícia, havia expressa menção da destinação para atendimento das operações típicas de bombeiros. A exposição de motivos que justificava o aluguel foi amplamente pautada na necessidade da prestação dos serviços de socorro prestados pelo Corpo de Bombeiros Militar, como estratégia para melhor convencimento das autoridades políticas, da mídia em geral e da própria população.

Estratégia absolutamente correta e fundamentada e depois ratificada pelas estatísticas dos atendimentos: as ocorrências de bombeiros sempre lideraram as estatísticas com margem larga percentual, por vezes quase beirando a totalidade.

O serviço foi desempenhado com grande eficiência e a repercussão foi altamente positiva na sociedade e na mídia em geral, porém nos anos seguintes não houve locações de aeronaves ou compra do equipamento.

A Operação Veraneio 1986/1987 foi um balão de ensaio, em que pese as frustrações geradas pela não continuidade dos serviços, sabia-se que uma semente havia sido lançada, não exatamente no campo político administrativo, mas principalmente em mentes e corações e que breve germinaria.

A ausência de aeronave não impediu que o projeto prosseguisse.

Ainda no ano de 1987 e 1988, em função de uma parceria existente entre o Corpo de Bombeiros Militar e o 2º/10º G Av da Força Aérea Brasileira, sediado em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Oficiais e Praças, todos lotados no Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros Militar, realizaram o Curso de Tripulante Operacional naquela Organização Militar.

Passados dois anos, em 1990, foi apresentado como trabalho final de conclusão do Curso de Especialização de Bombeiros para Oficiais, um estudo com o tema: Técnicas de

Salvamento com Uso de Helicópteros.

Em 1992 a Secretaria de Segurança Pública lança edital para aluguel de nova aeronave para atuar na OpV 92/93.

Em janeiro de 1993, uma aeronave Esquilo B (PT-HMI) pousa em frente à Seção de Combate a Incêndios do Aeroporto Hercílio Luz, a época comandada pelo Tenente Edupércio, a quem competiu providenciar o imediato treinamento das tripulações, para operarem ainda naquela temporada.

Os Tripulantes Operacionais foram selecionados entre os Bombeiros Militares integrantes daquela mesma Seção Contra Incêndios.

Nova e dupla missão para aquele contingente que naquele mesmo mês de janeiro de 1993 havia assumido as funções naquela Organização de Bombeiros Militar, uma vez que até então o Serviço de Contra Incêndios no aeroporto era prestado por integrantes da FAB.

A operação desenvolve-se de forma integrada. Participam Pilotos do Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar e Polícia Civil, que realizaram os respectivos cursos em escolas civis e na FAB, e que naquela operação atuavam como co-pilotos do Comandante Camilo, Piloto civil dos quadros da empresa HELISUL, proprietária da aeronave.

O serviço de socorro público com o uso de helicóptero, mais uma vez atingiu seus objetivos com inúmeros salvamentos e resgates realizados, porém, mais uma vez, com o encerramento daquela Operação Veraneio, os serviços foram novamente interrompidos no mês de abril.

Nos anos seguintes foram locados helicópteros para as atividades de busca, salvamento e resgate, durante os meses de verão nas Operações Veraneios de 93/94, 94/95, 95/96 e 96/97, com guarnições compostas por Oficiais Pilotos PM e BM, e Tripulação Operacional composta por Bombeiros Militares sediados nas Seções Contra Incêndios dos aeroportos de Florianópolis e de Navegantes.

A partir de 1997 a aeronave Esquilo passou a ser locada o ano inteiro pela PMSC, desempenhando atividades multi-missão, sempre com grande ênfase nas atividades de salvamento, sendo o efetivo de Praças Tripulantes Operacionais transferidos da Seção Contra Incêndios para o Grupamento Aéreo da PMSC, então subordinado ao Sub-comando Geral daquela Corporação.

Considerando a intensidade da participação, seja do Corpo de Bombeiros, seja dos seus integrantes, no processo implantação do serviço de operações aéreas da PMSC, não deixaria de ser correto afirmar

que também ali pudesse ser considerado o inicio das atividades do serviço de Aviação de Resgate no Corpo de Bombeiros Militar.

Escrita a história à época, assim poderia efetivamente ter sido considerado.

Escrevendo-a agora, sobram razões para transferir esta data para um momento muito mais significativo e marcante da história da Corporação como veremos adiante.

Passados 5 anos da Emancipação Constitucional, o Comandante-Geral do CBMSC, Cel BM Álvaro Maus, através da Portaria nº 050/CBMSC/2008, de 11 de abril de 2008, designou o Maj BM Edupércio Pratts, Coordenador do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do CBMSC, visando a elaboração de estudos e propostas para a implantação da Unidade Aérea dos Bombeiros Militares Catarinenses.

No final do mês de novembro de 2008, em função das fortes chuvas, vários Municípios catarinenses decretaram situação de emergência ou calamidade pública, onde ocorreram 135 óbitos e milhares de desabrigados ou desalojados, o que levou o CBMSC e demais Órgãos da Segurança Pública e Defesa Civil a desencadearem a "Operação Arca de Noé”, com o propósito de organizarem as ações de socorrimento público.

No período compreendido entre os dias 24 de novembro e 07 de dezembro de 2008, a equipe de Oficiais Pilotos (Maj BM Edupércio, Maj BM Lopes, Cap BM Kemper) e Praças Tripulantes (Sd BM Aurélio e Sd BM Márlio Luiz), todos do CBMSC, estiveram presentes nas operações aéreas desenvolvidas no complexo do Morro de Baú, com missões partindo do Aeroporto de Navegantes.

Estes Bombeiros Militares participaram da coordenação da missão como elos de ligação entre o CBMSC e as Operações Aéreas desenvolvidas a partir de Navegantes, assim como Co-pilotos e Tripulantes Operacionais, integrados a diversas guarnições aéreas que vieram de outros Estados, a exemplo da aeronave pertencente ao CBM de Minas Gerais, onde o Maj BM Edupércio operou como co-piloto, na aeronave Esquilo B 2 - Arcanjo 01, comandada pelo Ten Cel BM Cleberson, do CBMMG, em missão na região afetada, no dia 28 Nov 08, em que participou do vôo o Cel BM Álvaro Maus, Comandante Geral do CBMSC .

No decorrer do ano de 2009 foram realizados intercâmbios com o CBMDF e CBMPA, onde Pilotos e Tripulantes atuaram no decorrer do ano.

Ainda em 2009 três Oficiais (Ten Sandro, Ten Pratts e Ten Túlio) participaram do Curso de Piloto na SENASP.

Em novembro de 2009, o Comando-Geral da Corporação encaminhou exposição de motivos para a Secretaria de Segurança Pública-SSPDC, solicitando autorização para que o CBMSC locasse um helicóptero por três meses para uso na Op V 2009/2010, com investimento previsto na ordem de R$ 480.000,00.

Após processo licitatório foi locada uma aeronave modelo Esquilo B, prefixo PT-HLU, nosso primeiro ARCANJO 01, o qual entrou em operação no dia 20 de janeiro de 2010, marcando o início da história dos ARCANJOS.

Era uma aeronave tipo helicóptero Esquilo, com capacidade de transporte para 06 pessoas, sendo 02 Pilotos, 03 Tripulantes e 01 vítima socorrida/transportada. Com autonomia para 03 horas e 20 minutos de vôo, utilizando o querosene como combustível, a uma velocidade de 100 nós (aproximadamente a 180 Km hora).

Possuía equipamentos especializados, como o bambi bucket, que era utilizado para combate a incêndios florestais, com capacidade de 500 litros de água.

A aeronave operava no período do nascer ao pôr do sol.

A Corporação contava com 03 Pilotos de helicópteros formados (Maj Edupércio, Maj Lopes e Cap Kemper), 03 co-pilotos em formação ( Ten Sandro, Ten Pratts e Ten Túlio), e 04 Tripulantes formados (Sgt Puttkammer, Sd Aurélio, Sd Marlio e Sd Rafael), e realizou a grande parceria de sucesso com o SAMU e a Secretaria Estadual de Saúde para ampliação dos serviços, onde o SAMU SC entrou com as equipes de Médicos e Enfermeiros de Voo, e foram estabelecidos a doutrina e o Serviço de Resgate Aeromédico Especializado em território Catarinense, sendo uma referência nacional e internacional.

Em 2014 o CBMSC viabilizou a cessão de uso/doação de um avião, através da Justiça Federal, o Arcanjo 02 (PR-EPH), nossa primeira aeronave de asa fixa.

Com o passar dos anos novas aeronaves de asa fixa e rotativa foram agregadas ao Serviço de Resgate Aeromédico Especializado, prestado pela parceria CBMSC e SAMU SES/SC, sendo compradas, cedidas ou locadas.

Algumas aeronaves ficaram cedidas ou locadas por pouco tempo, e apesar de desempenharem o serviço como Arcanjos, não chegaram a receber plotagens padrões, mas desempenharam papel fundamental no salvamento de muitas vidas.

Entre 20 de janeiro de 2010 e 20 de janeiro de 2026, com 16 anos de serviços prestados, foram atendidas/socorridas pelas equipes das aeronaves de asas rotativas mais de 12193 pessoas, e as equipes das aeronaves de asas fixas entre 2014 e 2026 (12 anos) atenderam/socorreram mais de 4193 pessoas, conforme demonstrado nos quadros estatísticos apresentados a seguir.

EDUPERCIO PRATTS

Cel BM RR Ex-Cmt BOA e Ex-CmtG CBMSC

Acadêmico ALMESC Cadeira 26

Fotos: BOA, internet e acervos do Autor.

Fonte: BOA CBMSC e SAMU SC

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